No Dia da e do Estudante, celebrado hoje (11), reafirmamos o direito à educação, mas também é necessário ouvir quem relata não ter conseguido viver esse direito de forma plena dentro da escola.
Arthur Lucas de Almeida Silva estudou durante três anos em uma escola cívico-militar. Hoje, em outra instituição, ainda convive com consequências de um período marcado, segundo ele e sua mãe, por cobranças excessivas, rigidez e situações que afetaram sua saúde emocional e sua relação com atividades que antes faziam parte de sua rotina.
De acordo com Cosma Silva de Almeida, mãe de Arthur, houve episódios que, para ela, ultrapassaram os limites da disciplina escolar e atingiram diretamente a forma como o filho se percebia e se expressava.
Entre as situações narradas está a questão do cabelo. Segundo Cosma, havia questionamento sobre o comprimento dos cabelos de Arthur e cobrava que ele adequasse sua aparência ao padrão estabelecido para os meninos, ou seja, foi exigido o corte do cabelo.
O episódio teve impacto significativo sobre sua autoestima. Arthur afirma que se sentiu “destruído” e relata que já existiam outras regras relacionadas à apresentação, como o uso de calças pelos meninos e saias pelas meninas.
“Não precisava cortar o meu cabelo”, lamenta.
O estudante também relaciona a experiência à perda de atividades importantes em sua vida. “Eu não conseguia mais pregar e nem cantar na igreja por causa daquela escola. Ela tirou toda a minha autoestima”, afirma.
Diante do que viveu o filho, Cosma questiona: desde quando educar significa determinar como um menino deve parecer?
O relato coloca em debate os limites entre disciplina e controle. Regras fazem parte da organização escolar, mas quando normas sobre aparência passam a impor padrões de gênero ou constranger estudantes, é preciso discutir sua finalidade.
Cabelo não define caráter. Aparência não determina capacidade. Disciplina não pode ser confundida com imposição de padrões sobre o corpo e a identidade das e dos estudantes.
Neste Dia da e do Estudante, o SUPREMA reafirma a defesa de uma escola pública que ensine, acolha, respeite as diferenças e proteja crianças e adolescentes. Uma escola em que disciplina não seja sinônimo de silenciamento e em que nenhum estudante precise abrir mão de quem é para ter o direito de aprender.















